Osteopatia em Portugal

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A Importância da Osteopatia em Portugal

Pelo Prof. Dr. Mário Alberto Borges de Sousa



Os grandes êxitos do século XX foi o aumento da longevidade devido aos benefícios médico-sociais, económicos, políticos e culturais, favorecendo o bem-estar social e a qualidade de vida, contribuindo também para uma mudança demográfica, com um aumento da esperança média da vida.

No presente século, a longevidade chega a uma esperança de vida, em média de 70 a 80 anos, podendo constituir factor essencial para o desenvolvimento económico e social das sociedades modernas. Assim, um dos mais importantes desafios que se apresentam à sociedade do século XXI, é o de combinar a independência das pessoas idosas com a sua participação activa na sociedade. Este novo paradigma do envelhecimento, além de considerar os idosos como participantes activos na sociedade, oferece a base para uma nova promoção de saúde e para uma melhoria na qualidade de vida.

Porém, o que se nota na sociedade actual, é o renegar da experiência da vida do idoso, desprezando uma capacidade produtiva que poderá ser muito importante para o equilíbrio e para a organização social dessa mesma sociedade. Este fenómeno está presente na sociedade portuguesa basta observar os idosos, habitualmente sentados em bancos de jardins ou inactivos em frente à televisão ou ainda a viver em lares da terceira idade.

Nos aspectos demográficos, Portugal entre 1960 e 2001 teve um decréscimo de cerca de 36% na população jovem e um aumento de 140% na população idosa, segundo estudo do INE.

Portugal com um índice de envelhecimento considerável, terá necessidade de alterar a sua política de saúde em favor da prevenção e por consequência da manutenção da saúde da população.

Importa não confundir envelhecimento com doenças que podem ocorrer na velhice, conforme salienta o  Prof. Doutor L. R. Stigler Marczyk :” A distinção é extremamente importante para não cometermos o erro de atribuir ao envelhecimento todo o tipo de alteração encontrada no idoso, impedindo o diagnóstico de patologias passíveis de cura e, no outro extremo, confundirmos alterações normais do desenvolvimento como patológicas, levando a exames e tratamentos desnecessários.”

O presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia e membro da Comissão Europeia da Década do Osso e da Articulação, Aroso Dias, afirma que cerca de 20 por cento da população portuguesa sofre de osteoartrose, na sua maioria mulheres, e acrescenta “ há números suficientes para dizer que as doenças reumáticas são extremamente incapacitantes.” Ao falar de incapacidade está-se a falar também de reformas antecipadas,  que implicam custos significativos no orçamento do Estado.
Segundo especialistas, as doenças osteomusculares são as patologias crónicas que além de terem um maior impacto negativo na qualidade de vida do indivíduo, são a primeira causa de consumo de cuidados de saúde e de incapacidade nos indivíduos com maior longetividade. Elas afectam o dia-a-dia em cerca de 80% dos doentes que vão à consulta externa
.
Portugal terá de procurar outras formas de tratamento eficazes para estas patologias, como José Pereira da Silva, reumatologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, afirma :“Uma vez que o envelhecimento da população contribui para o desenvolvimento de mais doenças crónicas são necessários tratamentos mais eficazes”. ou seja oferecer aos idosos a  possibilidade de recorrer a outras terapias, de modo a proporcionar à população envelhecida o melhor bem-estar, ou sejam terapias que actuem no mecanismo osteomuscular degenerado e que sejam menos agressivas
Neste contexto, a  Osteopatia pode oferecer uma mais valia, na medida que o seu objectivo na população é  implementar a prevenção e o  retardamento das degenerações osteomusculares de origem mecânica, dar melhor mobilidade articular e eliminar as dores articulares.. Refira-se que as técnicas Osteopáticas não têm efeitos secundários, são bastantes eficazes e mais económicas. Estas técnicas osteopáticas são importantes para o equilíbrio postural e minimizam os síndromas dolorosos do corpo humano, tais como:

 

  • dores da coluna vertebral (torcicolos, cervicalgias, dorsalgias, lombalgias, desequilíbrios da bacia, hérnias discais, etc.);
  • dores do membro superior (nevralgias, cervicobraquialgias, periartrites escapulo-umerais, parestesias, cotovelo de tenista, lesões por esforços repetitivos);
  • dores do membro inferior (ciáticas, cruralgias, tendinites, entorse, etc.).


O tratamento osteopático, diferente de qualquer outra terapia, é  menos agressivo e melhor tolerado visando melhorar a qualidade de vida e dele decorrendo os seguintes benefícios:

  • aplicação em qualquer idade;
  • melhorar a postura;
  • retardar os sintomas de desgaste articular;
  • eliminar a dor nos problemas osteomusculares de origem mecânica;
  • melhorar a mobilidade articular;
  • estimular a força e a flexibilidade;


Como qualquer outra terapia a Osteopatia também tem contra-indicações, tais como:

  • Tumores, quadros articulares agudos como artrite reumatóide;
  • lúpus, espondilite anquilosante, artropatias traumáticas recentes, anquilose;
  • insuficiências circulatórias localizadas, síndroma vertebro-basilar, hérnia discal extrusada e estados infecciosos.



Avaliação da Osteopatia

O interesse pelas Terapias Não Convencionais é testemunhado em todo o mundo , chegando até a ser apoiado pela própria OMS que suporta 24 Centros dedicados a estas terapias - "24 Gollaborating Gentres for Traditional Medicine" (WHOM nO.2 Março-Abril 1996).

A análise da eficácia e utilidade dos custos introduz um conceito de valor, não só do efeito do tratamento mas também, do ponto de vista do doente, da redução da ansiedade pelos resultados, o que tem como consequência uma maior disponibilidade do doente para uma melhor qualidade de vida, conforme confirmam M. Grossman e colaboradores na sua investigação." The Demand for Health: a Theorical and Empirical lnvestigation, Edit. NBER Nova York, 1992.

As dores lombares, por exemplo, custam ao Serviço Nacional de Saúde enormes somas.
O estudo de Meadle e colegas revelou uma poupança de 8 milhões de libras esterlinas ao Serviço Nacional de Saúde Britânico na utilização das manipulações osteopáticas e dieta alimentar nos doentes com dores lombares.

Num estudo feito por Stanno, citado por A.R.White e colaboradores, foram analisados os registos computadorizados de pagamentos feitos por Companhias Seguradoras a médicos dos, Estados Unidos, para o tratamento de dores lombares durante um período de 1 ano (cerca de 400.000 casos).Verificou-se que os doentes com dores lombares tratados pelos meios convencionais, custaram em média mais US$1.000,00 por cada doente do que os tratados por manipulações.

O relatório Richardson de um estudo dos "Health Services Research and Evaluation Unit" do Lewisham Hospial NHS Trust afirma:


"Há uma evidência de eficácia nos tratamentos Osteopáticos, em dores de costas e dores de cabeça, conforme demonstraram resultados consistentes, segundo a avaliação de diferentes investigadores como:

Long e Mercef (1995) ( University of Leeds) que apresentaram 5 estudos sobre a evidência da eficácia das manipulações Osteopáticas.
Brunaski (1984 concluiu que as manipulações eram mais eficazes do que o tratamento médico normal.
Koes (1991) num estudo de controlo em 309 doentes com dores lombares e 5 com dores cervicais, obteve um resultado positivo afirmando que as manipulações eram mais eficazes do que outros tratamentos.
Anderson e colegas (1992) obtiveram resultados mais eficazes com manipulações do que com outros tratamentos comparativos.
Meadle (1990) estudou 741 doentes com dores lombares durante 24 meses com um máximo de 10 tratamentos por doente. Os resultados demonstraram que o tratamento manipulativo foi mais eficaz.
Wells MR e colegas num estudo "Standard osteopathic manipulative treatment acutely improves gait performance in patients with Parkinson's disease" obtiveram resultados bastante positivos (do Journal American Osteopathic Association, 1999 Feb., 99(2): 92-8).

O British Medical Journal de 9 de Julho de 1994 refere que as manipulações Osteopáticas são utilizadas na:
Bélgica por 19% da população; Dinamarca: 23%; França: 7%; Suécia: 48%; Reino Unido 36%, Estados Unidos por 30%.

Estes estudos e muitos outros efectuados por entidades oficiais de países da Comunidade Europeia e dos Estados Unidos, têm demonstrado não só os resultados positivos em relação à Osteopatia, como também uma redução de custos na utilização desta terapêutica para determinadas patologias osteomusculares, patologias identificadas em 80% dos idosos.

Em Portugal a Ordem dos Médicos, na sua revista editada: Out/Nov/Dezembro de 2002 de 22 de Agosto, num artigo sobre os "Projectos de diplomas Reguladores do Exercício de Medicinas Não Convencionais" afirma o seguinte: "A ciência médica aceita como boas algumas terapêuticas que são praticadas por não médicos, como é o caso da.... ou de técnicas de manipulação que os osteopatas executam.”

Perspectiva-se que o futuro dos cuidados de saúde, possa também por dar cumprimento à lei nº 45/2003 de 22/8 que regulamenta as Terapias Não Convencionais onde a Osteopatia está integrada. Esta temática torna-se mais complexa se pensarmos nos componentes que constituem os cuidados de saúde – Preço e Qualidade – além de que a Osteopatia é um método terapêutico bastante económico devido a recorrer a testes simples como meio de diagnóstico, não utilização consumíveis (medicamentos, injectáveis, etc.), e usa como tratamento as mãos como instrumento de trabalho.

Conclui-se
Estudos demonstram que a Osteopatia, embora não seja a solução para todas as doenças, é uma importante terapia para os problemas osteomusculares com um efeito muito significativo, no beneficio à população em geral e à idosa em particular, como uma manutenção de saúde e bem-estar, de modo a manterem a sua dignidade e contribuir para um envelhecimento activo, com autonomia e independência.