Osteopatia em Portugal

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Dr. A.T.Still

O fundador da Osteopatia foi Andrew Taylor Still (1828-1917),  nascido a 6 de Agosto de 1828, no local de Jonesborough, na VirgíniaAt an early age, Still decided to follow in his father's footsteps as a physician., Condado de Lee, nos Estados Unidos da América.
A sua família imigrou em 1837 para o Missouri, onde comprou uma fazenda e levaram uma vida de pioneiros.
Seu pai, Abram  Still, era pastor metodista, médico e agricultor e sua mãe Martha Langham Moore e Andrew Taylor Still era o filho mais novo do casal.
A história da Osteopatia está relacionada com a história da família de Still, devido à profissão de seu pai, que pelo facto de ser pregador da religião metodista, vendia remédios e tratava doentes.
A educação de Still caracterizou-se por uma forte disciplina, aprendeu a ler e a escrever, mas era muito interrompida devida a ter de acompanhar o seu pai nos trabalhos religiosos. After studying medicine and serving an apprenticeship under his father, he entered the Civil War as a hospital steward, but would later state in his autobiography that he served as a "defacto surgeon".
Em 1835, Still com os seus dois irmãos entraram para o Holston College em Newmarket, Tenn.
Naquela época não existiam escolas de medicina, por isso Still sob a orientação de seu pai estudou pelos livros de medicina da época e em 1851, seu pai, mudou-se para a missão de Warrrrrrrkarusa no Kansas onde conviveu com os índios da Reserva dos Shawnnees, trabalhou junto com o seu pai como médico da missão e de acordo com a sua narrativa, os males que afectam os índios não diferem dos que atingem os homens brancos. Still diz ainda nos seus textos “na missão como médico dei aos índios drogas utilizados para os homens brancos, curei a maioria dos casos que encontrei e fui muito bem acolhido pelos Shawnees”.Através dos textos de Still tem-se a certeza que Still teve contacto com a medicina indígena. Narra de maneira muito rápida a sua experiência  como médico entre os índios, assim como a forma terapêutica empregada pelos indígenas.
Mais tarde, depois de Still se casar com Mary Margaret Vaughn, (1849)1  mudou-se para junto de seu pai, ajudando-o nas actividades rurais, religiosas e na medicina2.

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Durante a década de 1850-60, quando estava recém-casado, Still estudou na Universidade de Medicina em Kansas City, no Colégio de Médicos e Cirurgiões do Missouri. Segundo Carol Trowbridge o curso era desenvolvido ao longo de dois anos, sendo o segundo uma mera reprodução do primeiro, a escola não ministrava aulas práticas. Still deixa a faculdade após o primeiro ano, com a sensação de que os cursos de medicina eram eminentemente comerciais.
Still é muito influenciado pelo pensamento contestatório e pela moral protestante das regiões de Fronteira. São pensadores como Henry Ward Beecher, filósofo presbiteriano que o levam a reforçar a sua desconfiança pelo conhecimento académico e a reforçar a sua crença no conhecimento adquirido na experiência prática.
Still aponta ainda a Fronteira como um local que também o permitiu vivenciar outras experiências, tão importantes para a promoção da Osteopatia quanto o contacto com a natureza e a liberdade de estudos.   
Para Still, a sua ciência era uma decorrência do somatório das suas experiências da vida.
Still disse, eu sou da Virgínia, mas eu vim para o Oeste muito cedo e sou praticamente um homem do Oeste. O entender “ ser um homem do Oeste” no século XIX, assim como os tipos de práticas terapêuticas as quais Still, provavelmente, teve acesso, levaram-no a ter uma maior compreensão da vida e da medicina da região.
O termo Fronteira usado no pensamento da época levou diversos autores a esta abordagem, tais como Henry Thoreau, Frederick Turner e Robert Wegner.
A visão de Thoreau e Turner, dois pensadores americanos do século XIX, era perceberem como a Fronteira era entendida pela intelectualidade americana da época.
Thoreau identifica na natureza o local onde o homem encontra a sua verdadeira liberdade. As grandes extensões de terra inabitadas encontradas no Oeste, permitiam ao pioneiro um isolamento dos centros populacionais, deixando livre para poder viver segundo as suas próprias leis
Thoreau faz uma analogia, a do caminhar a humanidade no meio de uma floresta, como um processo de interiorização, com o caminhar da sociedade, rumo ao Oeste, em direcção ao interior do país. O homem através da sua caminhada encontra a si, da mesma forma que a América encontra a sua identidade ao voltar-se para o Oeste, de costas  para o legado europeu.
Esse progresso a que Thoreau nos adverte é um progresso que advém da busca, no Oeste, dos atributos necessários para a promoção do futuro da sociedade americana.
Para Thoreau, o Oeste é o local da liberdade, onde os homens se encontram muito mais sujeitos às leis naturais do que às dos homens.
A visão de Turner sobre o Oeste diverge da de Thoreau. Ambos partilham uma concepção de progresso no caminho para o Oeste, mas para Turner o progresso é trazido pelo homem civilizado ao ambiente primitivo. Para ele a Fronteira representa uma linha divisória entre o primitivo e o civilizado.
Ao retornar, Still tornou-se agricultor e com o seu pai, cuidaram da saúde dos índios Shawnnee. Still aprendeu a falar correctamente a língua dos índios e adquiriu conhecimentos curativos naturais.
Segundo Maria Luísa A. Correia, na sua Tese de Mestrado em História das Ciências da Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz, de 2005, afirma:
“Em 1853, Still mudou-se para a missão de Wakarusa, no Kansas, onde conviveu com os índios Shawnees.  Trabalhou com o seu pai que praticava medicina na missão e de acordo com a sua narrativa, os males que afectavam os índios não diferiam dos que atingiam os homens brancos. A maior parte dos casos tratavam-se de febres, disenterias, erisipelas, pneumonia e cólera.”
E afirma, que Segundo Still:o tratamento dos índios para a cólera não era mais ridículo que certos tratamentos ditos científicos utilizados pelos doutores em medicina. Os índios cavavam dois buracos no solo,
separados aproximadamente por setenta centímetros. O paciente repousava estendido entre os dois buracos, vomitando num e purgando-se noutro, e morria assim, estendido no chão, uma cobertura de terra lançada sobre ele.(...) Como meios curativos, eles davam chás fabricados com raízes pretas, do gombo, sagatee, muckquaw e chenee olachee . Assim, eles eram tratados, morriam e partiam para Illionoywa Tapamalaqua, “a casa de Deus”. (STILL, 2001 a, p. 51)
Still, no mesmo texto, narra ainda a sua experiência como médico na missão de Warakusa, lhes dei as drogas utilizadas pelos homens brancos, curei a maioria dos casos que encontrei e fui muito bem acolhido pelos Shawnees.(op. Cit., p. 51)

Um surto de cólera na missão índia fez com que Still decidisse pelo exercício da Medicina. Still apercebeu-se das limitações do estudo médico convencional e começou a dar mais atenção aos sintomas e aos meios que aliviavam esses sintomas. Cedo abandonou, a Medicina convencional começando a criticar publicamente a sua eficácia. De forma a estudar a Anatomia e a Patologia, recorreu ao chefe índio da Reserva Shawnnee para que este lhe concedesse uma autorização para exumar corpos de índios, o que lhe permitiu obter conhecimentos, até então muito vagos.

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Um dos aspectos centrais das suas observações recaiu no estudo dos ossos e suas interligações. Em seguida, estudou aquilo a que viria a ser chamado “ o rio da vida” – o sistema vascular e o modo como ele percorria o corpo humano. Este estudo levou Still a considerar o corpo humano como uma máquina, encontrou um esqueleto, músculos e ligamentos e apercebeu-se que o corpo humano estava sujeito a algumas leis mecânicas e por essa razão, sujeito a algumas tensões devida à sobrecarga mecânica.
Descobriu também, que os sistemas circulatórios e nervoso desempenhavam papéis importantes quer na saúde, quer na doença.

As actividades de Still abrangiam também questões sociais, tornando-se num militante activo nas questões políticas relacionadas com a escravatura, manifestando-se um defensor da abolição da mesma, chegando a ser eleito para o Parlamento do Estado do Kansas.

Em 1859, morreu a sua mulher Mary Vaughon devido a complicações de parto, deixando-lhe três filhos e mais tarde, 1860, Still casa pela segunda vez com Mary Elvira Turner Still, professora de escola.
Entretanto iniciava-se a guerra civil americana, conhecida como a guerra da Secessão (1861-1865) onde as forças do norte (industrializado e baseado no trabalho livre) enfrentavam as forças do Sul dos E.U.A. (agrário, atrasado e escravizador).
Still, alistou-se no exército da União, em Setembro de 1861 em Fort Leavenworth, no Kansas, integrou a Nona Cavalaria, na Companhia liderada pelo capitão F, TJ Mewhinne3 , regimento composto principalmente por homens do Kansas.

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Still chegou a capitão deste exército de confederados e tornou-se cirurgião militar onde efectuou centenas de operações, mas devido à impotência médica da época, muitos dos feridos não puderam ser aliviados assistindo-se impunemente à amputação e morte de centenas de soldados.
No final da guerra a sua unidade foi dissolvida. Em Outubro de 1864, Still regressou a casa para iniciar a sua vida de civil.

Still não foi feliz neste regresso a casa, devido a uma epidemia de meningite cérebro espinal que atingiu a fronteira do Missouri onde milhares de pessoas morreram, incluindo os seus três filhos, 2 filhos de Still e outro filho adoptado por Still.
Foi durante esta tragédia que Still retomou os seus estudos, escreveu “eu via a ineficácia das drogas”.”Eu sinto que a minha mágoa foi por ignorância grosseira por parte da profissão médica4 

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Pouco tempo depois, um filho do seu segundo casamento veio, também, a morrer, em consequência de uma pneumonia. Isto levou Still a sentir que a medicina era inadequada para resolver os problemas com que se confrontava. A medicina da época tinha como terapia as purgas e as sangrias além de medicamentos, que em muitos casos, eram mais prejudiciais do que a própria doença.

Perante o vazio de recursos médicos existentes, que gerou em Still, um estado emocional, impeliu-o a dedicar a sua vida ao desenvolvimento de uma doutrina, segundo a qual, a saúde humana depende da estrutura, porque esta governa a funcionalidade do corpo humano.
Still com as suas ideias, que eram muita avançadas para a época, e com a insatisfação com os métodos de cura, procurou um método que lhe desse maiores garantias, uma filosofia com base científica para as suas aplicações terapêuticas.

Nesta época a ciência moderna e os métodos de investigação eram desconhecidos, por isso a prática da Medicina era uma indústria caseira com poucos medicamentos comprovados e a maioria dos médicos, sobretudo perto das fronteiras, começavam como auxiliares dos médicos e estudavam a Anatomia e a Fisiologia.                                                                                                                                                     Durante 30 anos, Still, dedicou toda a sua vida ao estudo e à análise de todo o conhecimento do corpo humano existente. Terminou um curso de curta duração em Medicina, na faculdade dos médicos e cirurgiões em Kansas City, Missouri, para melhor conhecer e entender a ciência médica da época.
Still compreendeu que o corpo humano era potencialmente perfeito na sua forma e função. Estudou anatomia de modo a conhecer os segredos realizados pela natureza, viu o corpo humano como uma máquina e portanto a necessidade do seu alinhamento e lubrificação para o bom funcionamento.
Com as suas experiências em Cirurgia observou aderências, restrições de movimento e congestão dos órgãos doentes e. procurou um meio não-cirúrgico de quebrar essas adesões, restaurando o movimento e, finalmente, aliviar esse congestionamento.. Com muitos anos de prática, ele acabou desenvolvendo um meio de libertar os tecidos, melhorar a mobilidade, restaurando o corpo à sua normal fisiologia, usando apenas as mãos.
Conforme Maria Luísa A. Correia afirma na sua Tese de Mestrado: “Still cria uma concepção mecanicista do ser humano que se baseia na ideia de que o estado patológico decorre de alterações na estrutura anatómica, capazes de afectar o funcionamento do organismo. Para ele, a doença é qualquer coisa anormal no corpo, quer seja uma excrescência de um músculo, de uma glândula, de um órgão, uma dor física, um entorpecimento, uma febre, um resfriado ou qualquer outra coisa que não é necessária à vida e ao conforto, (STILL, 2001 b, p.43) entendendo a doença como proveniente de abalos no equilíbrio do organismo. Por isto, o osteopata deve conhecer a anatomia humana nos seus mínimos detalhes a fim de que vossas mãos, vosso olho vosso raciocínio vos guie directamente e sem dúvida para todas as causas e seus efeitos. (idem, p 23)
Para Still, os sintomas (a doença) são somente os efeitos dessa alteração na estrutura (a causa).Difere, dessa forma, de alguns dos seus contemporâneos, que afirmam que a doença se origina de alterações provocadas por microrganismos. Still vê o organismo como um sistema único, onde cada parte se interliga a outra de maneira que as modificações presentes num dado local repercutem e interferem no funcionamento do organismo como um todo. Desse modo ele diz que o osteopata deve saber: o papel de cada peça no funcionamento do mecanismo após ter aprendido onde a força é obtida e como ela é transmitida de lugar em lugar através de todo o corpo.” (STILL, 1999, p. 25)
Mais à diante, ele afirma: “um deslocamento parcial sobre um lado da coluna vertebral produzirá uma torção, despejando um músculo sobre o outro, contraindo os ligamentos, produzindo a congestão e a inflamação, ou qualquer outra irritação, e conduzindo a retenção de fluidos necessários à vitalidade. (idem, p. 35)
As tensões geram e mantêm as alterações estruturais, através de cadeias de transmissão lesionais miofasciais30. Seria a conjugação entre tensões teciduais e retenção dos líquidos corporais que bloqueariam a saúde do indivíduo.
Suas conclusões se apoiam no seu estudo sobre as fáscias, tidas para Still como o local da vida e da morte.
Observa que elas: envolve cada músculo, cada veia, cada nervo, e todos os órgãos do corpo.
Ela possui todo um conjunto de nervos, de células e de canais: é atravessada e repleta de
milhões de centros nervosos e de fibras que mantêm ininterruptamente o trabalho de secreção dos fluidos vitais e de excreção dos fluidos destruidores. (ibidem, p. 47)
E em outro texto ele a aponta como o lugar onde é necessário procurar a causa da doença, o endereço a consultar, e onde desamarrar a ação dos remédios em todas as doenças. (STILL, 1999, p. 78) Devido à sua complexidade, Still a identifica como o local do grande laboratório humano, a sede dos grandes processos fisiológicos.
Para ele, o prioritário é o conhecimento anatómico, de onde tudo parte. Por isto ele diz que a anatomia seria o alfa e o ómega, o princípio e o fim de todas as formas; eu pensei que as leis da anatomia, por selecção e por associação dos elementos, de tipos e de quantidades, determinariam as formas do corpo humano. A forma humana é um objecto. (STILL, 2001 b, p. 17)

Convém lembrar que o autor reconhece a importância do estudo da fisiologia e das outras matérias afins como a química mas, no entanto, ressalta o papel da anatomia pois é na sua origem que se encontram as soluções. ( STILL,)

Segundo Pierre Tricot: ”seu interesse (de Still) pela mecânica o conduzirá a aproximar seus achados de organização da estrutura humana e a mergulhar na anatomia (...) ele será assim revolucionário ao colocar a ideia de uma relação entre a anatomia e a função. (apud, STILL, introdução, 1999, p. 9)”.

1      L´ostéopathie comment ça marche? – Bases historiques, Olivier Auquier et Pierre Corriat, Edit Frison-Roche, 2000

2      Autobiography, pf A.T.Still, Early American Manual Therapy, 1897

3      Autobiography of A.T.Still, 1897

4      Autobiography,A.T.Still, Early American Manual Therapy, 1897